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terça-feira, 26 de julho de 2011

OPOSIÇÃO BOLIVIANA PEDE A MORALES DADOS SOBRE AVIÃO PRESIDENCIAL


LA PAZ, 26 JUL (ANSA) - Os partidos de oposição da Bolívia pediram que o governo informe sobre o que sabe sobre a situação do avião oficial da Presidência, após o mandatário Evo Morales afirmar que teme que os Estados Unidos coloquem drogas na aeronave para prejudicar sua imagem.

O deputado Osney Martínez, da frente Plano Progresso para a Bolívia - Convergência Nacional (PPB-CN), anunciou que a coalizão "pediu um informe escrito" sobre o que está acontecendo com o avião, como o presidente está viajando e por quê ele não utiliza a aeronave oficial.

Segundo o parlamentar, o mandatário só fez essa afirmação porque "deve saber algo". "Parece que está se antecipando a algo que ele sabe que está para acontecer", insinuou.

Morales, que viaja hoje para Nova York para participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), declarou no domingo, em um ato público em Cochabamba, no centro do país, que teme um plano das autoridades norte-americanas para colocar drogas em seu avião, ligando-o com o narcotráfico para prejudicar sua imagem política.

Na ocasião, o chefe de Governo boliviano disse que há um ano não utiliza o avião oficial da Presidência para realizar viagens porque "dizem que o avião está detido com rastros de cocaína".

O chefe da bancada do Movimento ao Socialismo (MAS) no Legislativo, Edwin Tupa, deu apoio ao presidente e pediu a seus correligionários que estejam "precavidos" e evitem viajar "com muitas maletas para o exterior" por causa da possibilidade de colocarem drogas nelas.

"Pedi a meus colegas deputados que prevejam isso e não levem maletas assim por nada. Temos que levar o necessário porque o que querem em nível internacional é reduzir a imagem do presidente Evo Morales", declarou.

Em 1 de julho, o governo boliviano de Morales, ex-líder sindical dos plantadores de coca, renunciou à Convenção Única das Nações Unidas sobre Entorpecentes, de 1961, que considerava a folha da coca como produto ilegal e condenava seu uso -- que, na Bolívia, é uma tradição indígena para suportar o ar rarefeito das altas altitudes locais. Por causa do costume, o comércio da folha representa 2% do PIB boliviano. (ANSA)
ansalatina

TAM mostra otimismo em fusão com LAN, descarta TAP


RIO DE JANEIRO (Reuters) - O presidente do grupo TAM, Marco Antonio Bologna, afirmou nesta terça-feira que está "bastante otimista" com a fusão da companhia com a LAN e descartou que a empresa combinada se voltará para a portuguesa TAP logo após ter sua união aprovada por um tribunal do Chile.

A fusão, que criará a maior companhia aérea latino-americana, está parada no Tribunal de Defesa da Livre Concorrência do Chile, depois que um grupo de defesa dos consumidores do país pediu à corte que avaliasse o impacto da associação da TAM com a LAN no mercado chileno.

"Não existe isso no nosso planejamento estratégico (aquisição da TAP). Temos primeiro que colocar a fusão com a LAN em pé, o que não é nada simples. Temos que buscar sinergias em receita, compras", disse o executivo, que calcula que a integração deve levar de dois a três anos.

Bologna admitiu, no entanto, que os processos de fusão no mercado aéreo devem continuar em curso para fazer frente a grandes concorrentes norte-americanos.

"O setor tem cada vez mais liberdade de preço, de voar... a indústria precisa cada vez mais de escala para concorrer", afirmou o executivo, a jornalistas, em evento do setor. "Dentro desse cenário de consolidação é que a gente olhou para a LAN (...) será importante para a integração da América e para o momento de crescimento da região."

Em maio, uma fonte do governo brasileiro afirmou à Reuters que o Brasil poderia financiar a aquisição pela TAM de uma parcela da TAP, que pode ser privatizada pelo governo português.

Segundo Bologna, a fusão com a LAN, anunciada em 13 de agosto do ano passado, está "no tempo correto. Somos conscientes e confiantes que teremos a autorização. Estamos bastante otimistas que isso acontecerá".

O presidente da TAM lembrou que, além do tribunal chileno, as duas empresas precisam de outras aprovações para a operação, como os órgãos de supervisão dos mercados de capitais dos Estados Unidos, do Brasil e do Chile, já que as duas empresas aéreas são listadas em bolsa. Ele preferiu não falar em um prazo para a conclusão da união das empresas.

Além disso, TAM e LAN irão necessitar do aval dos acionistas para uma oferta pública que será feita aos minoritários.

Inicialmente, a estimativa para completar a fusão das companhias aéreas era antes do encerramento de 2011.

Segundo Bologna, a discussão no tribunal chileno se concentra mais sobre os impactos da união das empresas no mercado chileno "e não a Latam como um todo".

AEROPORTOS

O presidente da TAM afirmou que a companhia aguarda um posicionamento do governo sobre o modelo de concessão dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília, cujos editais devem ser publicados em dezembro. Segundo ele, a TAM só teria interesse na privatização caso a concessão fosse segmentada.

"Até o momento, o modelo do governo seria de uma privatização para um consórcio. Se for modelo de concessão de áreas individuais, com certeza (temos interesse)", disse Bologna.

O executivo citou estimativas que apontam que o acesso ao transporte aéreo vai crescer fortemente nos próximos anos no Brasil e a previsão é que em 2025 o país esteja transportando cerca de 280 milhões de passageiros por ano, cerca de quatro vezes mais que o volume atual.

"Vamos estar chegando no nível dos Estados Unidos dos anos de 1980, com 50 anos de atraso, temos que analisar a nossa realidade de desenvolvimento", disse.

Para 2011, a expectativa da TAM é de que o mercado aéreo brasileiro cresça entre 15 e 18 por cento, afirmou Bologna.

veja

TAM estenderá serviços de celular e internet a bordo para sua frota internacional


Os clientes da TAM Linhas Aéreas poderão, dentro de aproximadamente um ano, utilizar seus dispositivos móveis a bordo da frota internacional da companhia, incluindo aeronaves Airbus e Boeing. Por meio de rede celular, eles poderão utilizar seus telefones durante o voo. Nesses aviões, também estará disponível sinal WiFi, possibilitando o uso de computadores, tablets e demais aparelhos compatíveis com a tecnologia para acesso à internet.

A decisão de ampliar os serviços de conectividade oferecidos pela OnAir foi tomada depois de nove meses muito bem-sucedidos, durante os quais passageiros fizeram chamadas telefônicas, receberam e enviaram mensagens de texto e e-mails e acessaram a Internet em algumas rotas domésticas da companhia.

Os serviços de conectividade OnAir baseados na tecnologia SBB (SwiftBroadband) da Inmarsat serão implementados em 12 aeronaves Boeing 777-300ER da TAM (quatro já na frota e oito a serem recebidas até 2014), bem como em dez aeronaves Airbus A330 e 27 A350 (estas últimas a serem entregues entre 2014 e 2018). Somadas às 31 aeronaves de voos domésticos que terão o sistema, das quais quatro já oferecem conectividade a bordo, 80 aviões da TAM serão equipados com os serviços OnAir nos próximos anos.

A conectividade na frota internacional será implementada a partir do segundo semestre de 2012. As 31 aeronaves que realizam voos domésticos já estão sendo equipadas com conectividade a bordo e todas devem ter o sistema instalado até o início do próximo ano.

José Zaidan Maluf, vice-presidente de Suprimentos e Contratos da TAM Linhas Aéreas, afirma: “Nossos passageiros querem estar conectados durante os voos. Percebemos isso com a popularidade dos serviços OnAir em nossas aeronaves de rotas domésticas. Não há dúvida de que a conectividade a bordo se tornará onipresente e estamos determinados a liderar esse movimento. É por isso que seremos a primeira companhia aérea das Américas a oferecer serviços completos de conectividade via celular e WiFi a todos os passageiros em nossa frota internacional.” A companhia também será a primeira da América do Sul a ter internet sem fio nos aviões.

Ian Dawkins, CEO da OnAir, diz: “Nossos serviços são bastante flexíveis, o que significa que são a escolha certa para uma companhia aérea que deseja equipar aviões de curto e longo alcance e precisa fornecer aos passageiros o conjunto completo de serviços de conectividade. Também oferecemos uma opção clara e direta de upgrade para Global Xpress, a solução de banda Ka da Inmarsat.”

Dawkins continua: “Somos a única prestadora de serviços de conectividade a bordo com clientes nos cinco continentes, ou seja, somos o único provedor verdadeiramente global”.

Todas as aprovações de agências reguladoras do setor de telecomunicações foram obtidas e os acordos de roaming já estão em vigor para o serviço nos voos domésticos. A TAM Linhas Aéreas já recebeu certificação de aeronavegabilidade da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para aeronaves que operam no Brasil e submeterá uma solicitação semelhante para os aviões de rotas internacionais antes de instalar o sistema de conectividade e ativar os serviços da OnAir. O equipamento já é certificado pela Easa (Agência Europeia para Segurança da Aviação) desde 2009 e é utilizado comercialmente nas principais companhias aéreas do mundo.

Os serviços da OnAir operam sobre SwiftBroadband da Inmarsat, oferecendo cobertura global; assim, os passageiros da TAM ficarão conectados em todo o mundo. A conectividade via satélite de e para as aeronaves operadas atualmente é fornecida em parceria com a Arycom, principal provedora de serviços da Inmarsat no Brasil.
jornal de turismo

MULHER É EXPULSA DE VOO PORQUE PILOTO ACHOU QUE ELA NÃO VESTIA CALÇAS

  • Malinda Knowles vestia um shortinho curto Malinda Knowles vestia um shortinho curto
Uma consultora financeira de Nova York abriu um processo contra a companhia aérea JetBlue depois de ter sido expulsa de um voo no aeroporto John F. Kennedy.

Segundo o jornal “New York Post”, o piloto da aeronave achou que Malinda Knowles, 27 anos, não estava vestindo calças ou bermudas.

A americana conta que entrou no avião, que partiria para a Flórida, vestindo um shortinho quando um supervisor se aproximou e bateu com a antena de um rádio comunicador entre suas pernas.

“Foi humilhante, degradante e inapropriado”, disse Malinda, que já estava sentada em sua poltrona na aeronave.

“O supervisor me perguntou: ‘não quero ver sua calcinha, mas você está vestindo algo por cima dela?’ Ele foi vulgar e pediu para que eu saísse do avião”, contou.

Malinda foi escoltada pela polícia até uma área do aeroporto. Só então perceberam que, de fato, ela vestia shorts e a colocaram de volta ao voo.

“Se a polícia entra em um voo por usa causa, todo mundo pensa que você tem uma bomba”, disse.
Mesmo assim, o piloto, James Ewart, não ficou satisfeito e a expulsou novamente.

A JetBlue não comentou o episódio.
ifr online

Senado vota em agosto prevenção de acidentes aéreos com aves


A Comissão de Serviços de Infra-Estrutura do Senado deve votar em agosto o projeto com medidas para o controle de aves em áreas ao redor de aeroportos. Para reduzir os riscos de acidentes causados pela colisão de aeronaves e animais, o projeto PLC 74/09 determina perímetros de proteção ao redor dos terminais e restringe atividades que atraiam aves para o local. Se aprovado, o texto seguirá diretamente à sanção presidencial. As informações são da Agência Senado.

O relator na comissão, senador Ciro Nogueira (PP-PI), recomendou a aprovação da proposta como o substitutivo acolhido antes pela Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA). O projeto foi apresentado pelo deputado Deley (PSC-RJ) e recebeu parecer favorável também da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE).

De acordo com estudos do Centro de Pesquisa de Avifauna em Aeroportos (CPAA), uma ave de aproximadamente 1,5 kg gera um impacto de cerca de 5 t ao se chocar com uma aeronave a 600 km/h. Os focos mais comuns de atração de aves, especialmente urubus, são os lixões, matadouros e instalações de beneficiamento de pescado.

Atualmente, as normas para o enfretamento do chamado risco aviário são definidas em resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). O texto, no entanto, não define responsabilidades nem estipula multas para as infrações, como propõe o projeto da Câmara.

Definição do perímetro e multas
Pelo substitutivo, o perímetro da Área de Segurança Aeroportuária (ASA) de cada terminal será definido de acordo com dois critérios: nos aeroportos que operam com base nas regras de voo por instrumento, prevalecerá área que compreende o terreno do próprio aeroporto e todo o território situado dentro do raio de 20 km a partir do centro da pista de pouso e decolagem. Nos demais, o raio equivalerá a 13 km.

Além disso, autoridades da aviação civil e militar deverão desenvolver planos de manejo da vida silvestre nas regiões de aeroportos. De acordo com o texto, os projetos devem ser submetidos ao Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), que poderá autorizar o abate de animais que levem risco às operações dos terminais caso o manejo não produzir resultados.

São classificadas como infrações desde implantar ou operar atividades com potencial de risco dentro da ASA sem autorização prévia das autoridades municipal e ambiental. Serão também consideradas ilícitas medidas para estimular ou permitir que se desenvolvam atividades de risco nessas áreas, o que pode alcançar as próprias autoridades públicas. Deixar de adequar atividades ou desrespeitar prazos para cessão de operações também são infrações.

As penas administrativas vão desde advertência a embargo de obras. Além disso, há previsão de multas simples (de R$ 1 mil a 1,25 milhão) ou em valores diários (de R$ 250 até R$ 12,5 mil).

terra

Airbus dribla Boeing e vende 260 unidades da família A320 para a American Airlines


Depois de uma disputa com a Boeing, a Airbus conseguiu vender 260 aeronaves da família A320 para a American Airlines, sendo 130 do modelo A320neo, que tem nova opção de motor. Todas as unidades da American virão com os Sharklets, que equipam a asas para dar maior aeronavegabilidade e assim economizar combustível.

A companhia ainda não anunciou sua escolha de motores. “A família A320 vai nos ajudar a economizar combustível e em outros custos com manutenção e operação. Estamos prevendo uma parceria de sucesso com a Airbus”. Nem a companhia nem o fabricante anunciaram o valor do negócio, mas estima-se que pode chegar a US$ 6 bilhões

aeromagazine

Airbus compra Metron Aviation


A Airbus entrou em um acordo definitivo para a compra da norte-americana Metron Aviation, empresa de gerenciamento de tráfego aéreo (ATM) e prestadora de serviços e soluções para a indústria aeronáutica. Esta aquisição reforça a estratégia do consórcio europeu para acelerar e apoiar programas de ATM, que vai melhorar drasticamente a capacidade global de transporte aéreo, eficiência e sustentabilidade ambiental.

A transação está sujeita às aprovações regulamentares habituais, e a aquisição deverá ser concluída ainda este ano. Os termos financeiros do acordo não foram revelados.

avião revue

60 militares e 12 civis entre as vítimas do acidente com avião militar em Marrocos

Rabat, 26 jul (Lusa) -- O acidente com um avião militar em Marrocos provocou hoje 78 mortos e três feridos graves, incluindo 60 militares, segundo fontes oficiais citadas pela agência noticiosa francesa AFP.

O avião militar despenhou-se em Guelmin, no sul de Marrocos, de acordo com uma autoridade local.

Um comunicado das Forças Armadas Reais (FAR) precisou que o avião "assegurava a ligação Agadir (sul) -- Laayune-Dakhla (Saara ocidental) e transportava nove tripulantes, 60 militares e 12 civis".

epa

Avião da TAM deixa o Rio após ameaça de bomba


Os passageiros de um voo da TAM passaram por momentos de tensão na noite desta segunda-feira, no Aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro, por causa de uma ameaça de bomba. Por volta das 21h, o voo 8102, com destino a Frankfurt, na Alemanha, foi suspenso e os passageiros foram retirados do avião.

A aeronave e as bagagens foram inspecionadas pela Policia Federal (PF) e o voo foi liberado por volta das 5h30 desta terça-feira. A companhia disse que prestou toda a assistência aos passageiros durante a espera.

Um estrangeiro, não identificado, teria levantado do assento e dito que estava com uma bomba. O comandante pediu que todos descessem do avião e acionou a Polícia Federal. O homem foi detido e o avião levado para longe do terminal para inspeção. Os passageiros foram conduzidos para uma sala anexa, onde receberam alimentação.

Além da Polícia Federal, homens do Esquadrão Antibombas também foram chamados. Cães farejadores auxiliaram as buscas.

A aeronave teria cerca de 200 ocupantes, sendo alguns deles atletas que participaram dos Jogos Mundiais Militares no Rio.

jornal do brasil

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Insegurança NO AR

Revelação de caderno com anotações diferentes de diário de bordo acirrou indícios de negligência

Revelação de caderno com anotações diferentes de diário de bordo acirrou indícios de negligência (Alexandre Gondim/JC Imagem/Folhapress)

"Com dois aviões, se um ficar no solo, o faturamento cai pela metade"

Ivan Sant´anna, autor de dois livros sobre acidentes aéreos

Na última década, saltou de um milhão para seis milhões o número de passageiros que recorrem a aviões de companhias aéreas regionais para se deslocar pelo interior do país. São, em sua maioria, empresários, profissionais liberais, comerciantes e fazendeiros que, vivendo ou trabalhando em cidades médias – onde não atuam as empresas aéreas de maior porte –, precisam voar constantemente para grandes centros regionais. Só nos últimos cinco anos, essas empresas passaram a pousar em quarenta novos destinos, acompanhando a expansão do agronegócio e a exploração do petróleo. Atualmente, onze companhias regionais operam em mais de 140 municípios. Juntas, têm uma frota de 145 aeronaves e empregam 6.514 funcionários – sendo cerca de 1.000 pilotos. A expansão do setor, impulsionada pela estabilidade econômica, é a boa notícia. A má é que essas empresas, nem sempre, primam pela manutenção de seus aviões.

Os acidentes com aeronaves regionais representam a maior fatia entre os 49 que ocorreram nos últimos dez anos com aviões de transporte de passageiros, de táxi aéreo e de cargas, de acordo com levantamento da Flight Safety Foundation – fundação sustentada pelas companhias aéreas americanas que coleta dados sobre segurança aérea em todo o mundo.

Radiografia das regionais

Expansão econômica das cidades médias impulsiona a abertura de novas rotas


  1. • 11 empresas
  2. • 6 milhões de passageiros em 2010
  3. • 140 municípios atendidos
  4. • 45 novos destinos nos últimos cinco anos
  5. • 145 aeronaves
  6. • 6 514 funcionários
  7. • 1 000 pilotos e copilotos
Fontes: Abetar e Anac

No Brasil, de 2001 até a semana passada, foram doze acidentes com aviões de companhias regionais – em onze deles, as aeronaves foram completamente destruídas, matando 93 pessoas. O episódio mais recente, a queda do bimotor Let 410 da Noar Linhas Aéreas, em Recife (PE), causou a morte de dezesseis pessoas no último dia 13.

Para efeito de comparação, nos Estados Unidos foram registrados no mesmo período vinte acidentes. Em 2009, quando só houve uma queda, a frota regional americana somava 2.485 aviões e transportava 160 milhões de passageiros por ano.

As circunstâncias da queda do avião da Noar acenderam um alerta sobre as condições de segurança das empresas regionais de menor porte. Especialistas afirmam que essas companhias nem sempre fazem a manutenção adequada em suas frotas. Para Ivan Sant’anna, autor de dois livros sobre acidentes aéreos, é difícil para empresas com frota reduzida manterem a manutenção em dia. A lógica, segundo ele, é econômica. "Se vocêm apenas dois aviões e um fica no solo para manutenção, o faturamento cai pela metade", diz.

Entre os doze acidentes com regionais registrados, seis tiveram relatórios concluídos pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Destes, só não foram encontrados problemas de manutenção em um episódio, que não deixou vítimas, ocasionado por uma falha do piloto ao pousar na pista molhada do Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, em 2007.

No caso da Noar, agora investigado pela Polícia Federal (PF), a principal suspeita é de falha em um dos motores. O piloto alertou a torre sobre o problema menos de um minuto após a decolagem e testemunhas notaram que, enquanto o comandante tentava fazer um pouso forçado na praia de Boa Viagem, um dos motores não estava funcionando. A aeronave pendia sobre a asa direita. O piloto quase conseguiu evitar o acidente, mas o avião acabou se espatifando em um terreno baldio. Todos os ocupantes morreram na hora.
"Ele teve pouquíssimo tempo para reagir", observou Sant’anna. De acordo com os dados da Flight Safety Foundation, os 95 aviões do mesmo modelo da aeronave da Noar já acidentados eram, em sua maioria, operados por companhias pequenas em áreas de segurança precária na Rússia, África e América Latina.
Negligência - A revelação, feita pelo Fantástico, da TV Globo, da existência de um caderno paralelo ao diário de bordo do segundo avião da Noar reforça os indícios de negligência. No caderno, chamado de "revista interna" pela empresa, havia anotações da tripulação sobre falhas nos motores e defeitos no painel de comando no período entre 3 de novembro e 9 de julho. Pela legislação aeronáutica, tudo o que ocorre com a aeronave deve ser registrado no livro de bordo, que é o documento oficial a ser consultado por uma fiscalização da Anac.
A irregularidade gerou a suspensão da licença da empresa depois que o caderno paralelo foi entregue para a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). O piloto Rivaldo Cardoso, que depois acabou morrendo no acidente no Recife, chegou a enumerar cinco problemas em 18 de dezembro. Ele citou superaquecimento do motor, que só permitia decolagem com 60% da potência. Cardoso pediu providências.
Na última anotação, em 9 de julho, um piloto escreveu: “Urgente, atenção: um copiloto que voava como passageiro observou que a porta do trem de pouso esquerdo, que já se encontrava amassada, aparentava que ia se soltar em voo, inclusive dobrando para cima pela ação do vento”. Se chegasse a acontecer, um dos motores ou os dutos de combustível poderiam ser atingidos, causando um grave acidente.
De acordo com o delegado da Polícia Civil Guilherme Mesquita, que deu início às investigações, tudo indica que a Noar não cumpria as determinações da Anac. "As informações paralelas não eram transferidas para o livro de bordo. Parece uma prática sistemática". Ou seja, as queixas ficavam restritas à empresa e não passavam pelo crivo dos fiscais da Anac – que poderiam ordenar que o avião ficasse em solo até tudo estar em ordem.
Procurada, a Noar informou que o caderno foi furtado, que sua documentação estava em dia e que só vai se pronunciar sobre o caso após a Anac se manifestar oficialmente.
Alexandre Gondim/JC Imagem/Folhapress
Acidente com o Let 410 da Noar, no Recife. Existência de um caderno com anotações que não constavam no diário de bordo do outro avião da empresa aponta que manutenção deficiente era ocultada. Polícia Federal investiga o caso

Existência de caderno com anotações diferentes das do diário de bordo: manutenção deficiente ocultada

A responsável pela manutenção no Brasil dos modelos Let 410, de fabricação checa, é a Team, outra regional de pequeno porte que opera voos entre o Rio e Macaé, no norte fluminense. Em 31 de março de 2006, um Let da Team atingiu um morro no município fluminense de Rio Bonito, matando 17 pessoas. O relatório do Cenipa sobre o acidenet apontou que "os serviços de manutenção não eram adequados". A razão do acidente teria sido o descuido dos pilotos, que voavam a baixa altitude e sem visibilidade. "A cultura organizacional da empresa mostrou-se complacente por não inibir a adoção de procedimentos incompatíveis com a segurança de voo,como os voos à baixa altura realizados pelo comandante-instrutor", cita a conclusão do relatório.

A Team pertence ao coronel da reserva da FAB Mário César Soares Moreira, que é muito bem relacionado dentro da Anac. Carlos Pellegrino, presidente da agência, foi diretor de qualidade e treinamento da Team entre 2007 e 2008. Já David da Costa Faria Neto, superintendente de Segurança Operacional da Anac, foi diretor de manutenção da regional. Procurada, a Team não se manifestou.
Fiscalização - Problemas de manutenção não deveriam ser tão persistentes no Brasil. A Anac informa que existem 11.425 mecânicos credenciados no país. Destes, quase mil atuam nas regionais. Um número razoável, mas que, quando confrontado com a estatística, se mostra ineficiente. Para pilotos consultados pelo site de VEJA, o problema está na fiscalização: falta experiência para muitos checadores da Anac.
As regionais, apesar do crescimento, perdem das grandes companhias em faturamento. Não poderia ser diferente. Algumas apenas aguardam um lugar entre as grandes assim que alguém sair do páreo. Foi o que ocorreu no passado com a TAM, que assumiu a liderança que já foi da Varig. Um bom exemplo é a Trip, que voa para 78 cidades, tem uma frota de 44 turboélices modernos e 400 mecânicos em seu quadro.
O único acidente da Trip foi uma derrapagem em um pouso no Pará, em fevereiro deste ano. Ninguém morreu. "Voamos acompanhando o crescimento do Brasil”, diz Apostole Crissafidis, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Aéreo Regional (Abetar). Crissafidis entende que a fiscalização deve ser a mais rigorosa possível e defende os aviões que voam pelo interior. "Descemos em pistas curtas, com aviões que respondem melhor que os jatos. Fazemos o que os outros não fazem", diz.
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