
Na tentativa de evitar mais demissões nas companhias aéreas brasileiras,
o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) vai propor ao governo a
criação de
um pacote de incentivos ao setor, semelhante ao que foi
aprovado para as montadoras e a indústria de eletrodomésticos de linha
branca (fogões, máquinas de lavar e geladeiras).
Em outra frente, o
sindicato irá sugerir às empresas a redução da jornada de trabalho
durante 60 dias como forma de preservar os empregos. Na defesa
dessas ações, o sindicato argumenta que os cortes são prejudiciais à
segurança operacional dos voos, pois acarretam excesso de jornada e
aumentam a fadiga dos trabalhadores. As propostas, que serão
apresentadas nos próximos dias, surgiram ontem (13) depois de uma
reunião no Ministério Público do Trabalho (MPT) entre o sindicato e
representantes da Gol.
No encontro, os sindicalistas queriam definir
critérios para a demissão de mais 130 aeronautas da empresa, que deve
ser efetivada até 1º de julho. Desde o fim do ano passado, a Gol,
segunda maior companhia aérea do país, já demitiu mais de 300
tripulantes, entre pilotos, copilotos e comissários.Última fase
do programa de ajuste em seu quadro de pessoal, que ao todo resultará no
corte de mais de mil postos de trabalho, se considerados os
funcionários de terra (aeroviários), essas novas dispensas da Gol agora
atingirão os comandantes de aeronaves.
Procurada, a empresa não
confirmou, mas também não desmentiu a nova rodada de cortes. “O
sindicato busca evitar a todo custo as demissões no setor e tem
expectativa de que com uma ação do governo possa ser construída uma
alternativa que recupere os postos de trabalho perdidos nos últimos
meses” explica o presidente do SNA, Gelson Fochesato.
Com as
demissões na Gol em sua fase final, Fochesato diz que os cortes no setor
estão longe de terminar. Os aeronautas já se preparam para uma nova
onda de dispensas em massa, liderada pela TAM, a maior companhia aérea
do país, e pela novata Azul. Ele cita ainda uma nova norma da Agência
Nacional de Aviação Civil (Anac), a RBAC 121, que autorizou a redução no
número de comissários a bordo, como um incentivo às demissões no setor.
No
caso da TAM, os cortes virão na esteira da fusão com a chilena LAN, já
autorizada pelos órgãos reguladores dos dois países. Para o
sindicalista, o ajuste na TAM deve ser semelhante ao que está sendo
feito na Gol. Os cortes devem crescer à proporção que o processo de
integração das operações entre as duas empresas avançar. “Quando a fusão
se completar, vamos ver o que o futuro reservou para os trabalhadores.
Com certeza teremos mais trabalhadores chilenos do que brasileiros na
empresa”, prevê Fochesato.
Com relação à Azul, que anunciou fusão
com a Trip e também deverá passar por um processo de integração mais
adiante, além de demissões, Fochesato vê um problema adicional. Haverá
uma redução no número de voos das duas empresas, que hoje são
concorrentes, e, consequentemente, aumento de preços nos bilhetes nas
suas rotas regionais. “É um quadro irreversível. As empresas cresceram
mais do que o previsto em 2011, contrataram funcionários e compraram
aeronaves. Agora, com a demanda estagnada, elas simplesmente demitem”,
afirma Fochesato.
Da Agência O Globo