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terça-feira, 24 de agosto de 2010

O comissário que faz samba no ar

Ponte aérea Rio-São Paulo, quinta-feira, 9 horas. O mau humor dá lugar a risadas. "Em caso de despressurização, máscaras de oxigênio cairão automaticamente à sua frente. Eu espero!", brinca o comissário Ronald Pennaforte, de 38 anos, há 11 na profissão. Ao ler as instruções em dois idiomas, ele é ovacionado. "Muito obrigado! Se quiserem, depois eu canto."

O comissário faz passar rapidamente o tempo do primeiro voo de uma senhora de cerca de 80 anos. E, na preparação para o pouso, Ronald atende ao pedido coletivo. Pelo sistema de som, canta: "Diga, espelho meu, se há na avenida alguém mais feliz que eu..." É acompanhado pelos passageiros, com direito a braços para cima, balançando de um lado a outro.

Ele distribui autógrafos, faz pose para fotos e é abraçado muitas vezes durante o desembarque. "Vou escrever ao Jô (Soares)", avisa uma moça. A descontração foi parar no YouTube, em um vídeo exibido mais de 29 mil vezes.

Ronald ama voar, mas não vive sem cantar. A liberdade para unir as duas paixões foi concedida em 2007. Por causa do gogó, cinco passageiros já o contrataram para shows. Uma apresentação no Rio, com nove ritmistas e duas passistas, custa R$ 2.100. Em São Paulo, é preciso também pagar passagem e hotel.

Nas horas vagas, o comissário é compositor da União da Ilha, escola da qual seu pai foi vice-presidente de 1977 a 1981. Pisou pela primeira vez na Sapucaí aos 11 anos, fantasiado de anjinho. Compôs mais de 200 sambas, cantou com Beto Barbosa e Leci Brandão, mas começou a carreira artística em 1991, nos Estados Unidos. Ganhava a vida jogando futebol e passou a faturar até US$ 300 por show com uma escola de samba.

Nascido em Santos, mudou-se com a família para a Ilha do Governador ainda pequeno. O retorno ao Estado foi proporcionado pelo samba. "Conheci o Ronald em 2002 e ele fez alguns sambas para a (Unidos de)Vila Maria", conta Paulo Sérgio Ferreira, presidente da escola. "Ele é meio louco, estabanado, divertido, mas sempre trabalha sério."

estadão



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