A existência de remédios vencidos na aeronave da Gol fez com que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) impedisse que o avião saísse de Boa Vista, com destino a Manaus (AM), no horário correto, na madrugada de ontem, o que provocou revolta nos passageiros que estavam no terminal.
A informação sobre os medicamentos foi repassada pelos próprios funcionários no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus.O voo, que estava programado para sair às 2h20 da manhã, só foi liberado 30 minutos depois
, e a maioria dos passageiros perdeu conexões. No aeroporto do Amazonas,
os passageiros revoltados ameaçaram processar a empresa e reclamaram da falta de respeito a quem embarca nos voos partindo de Roraima.“Tenho uma conexão em Brasília para Curitiba às 11h05 e vou perder. Não sei o que farei, pois é de outra empresa. Eles não querem nem saber da situação do passageiro, pois antes de partirmos, já sabiam que perderíamos as conexões e não disseram nada. Uma coisa que achei chocante é que um deles disse que daria um jeito de acertar a situação sem ônus. Como assim? Só o que faltava era eu ter que pagar por um erro deles", afirmou a professora Juliana Bergmann.
Outra passageira, a professora Ana Célia, que estava com a filha de 8 anos aguardando por ela em uma escola de Brasília, ficou revoltada. "Quem vai pegar minha filha na escola? Quero os meus direitos de passageira respeitados. Tiraram-nos do avião quando poderíamos ter seguido viagem e depois ficaram dando mil e uma desculpas. Eles não se manifestaram em nos colocar em locais decentes, em hotel, nem em sala separada”, disse a professora.
Ela lamentou ainda que nem mesmo um funcionário da Anac atendeu o chamado para ouvir a reclamação. “O agente da Anac desligou o telefone e mandou dizer que não estava e que a denúncia era para ser feita pela internet”, reclamou.
O advogado Pedro Coelho também chegou a ir até a Anac. Segundo ele, o funcionário não quis receber a queixa contra a empresa. "Ele estava dormindo e mandou que fizesse a queixa pela internet", explicou.
GOL – Os funcionários da empresa Gol que informaram que ninguém se pronunciaria sobre o assunto. O supervisor responsável pela empresa no aeroporto também não quis dar entrevista.
INFRAERO – A Infraero informou aos passageiros que caso o voo seja cancelado ou sofra atraso, a companhia aérea deve acomodar o passageiro em outro voo da própria companhia ou de outra, em no máximo quatro horas. Se este prazo não for cumprido, o usuário poderá optar entre viajar em outro voo, pedir endosso ou re-embolso da passagem. Para quem decidir viajar em outro voo, no mesmo dia ou no dia seguinte, a companhia é obrigada a propiciar hospedagem, alimentação, transporte para o aeroporto, além de re-embolsar despesas com telefonemas decorrentes do atraso.
Folha da Boa Vista